SER COMUNIDADE NA PARTILHA DO PÃO (Lc 24,11-35)

OS DISCÍPULOS DE EMAÚS

 

1. INTRODUÇÃO E SENSIBILIZAÇÃO

Acolhida dos participantes

–   Boas-vindas e introdução: “Estamos no fim do Tempo Pascal e a liturgia, neste mês de junho, logo depois do fim deste tempo de graça, nos convida a olhar para a Eucaristia, na Solenidade do Corpus Domini”.

Introdução ao tema e ao método

Tema: “O nosso tema será SER COMUNIDADE N A PARTILHA DO PÃO”.

Método: “Não vamos apenas sentar e ouvir, mas vamos viver este encontro com todo o nosso ser. Seremos chamados a nos levantar, a partilhar simplesmente, a nos tornarmos as personagens do Evangelho, mesmo com o nosso corpo, as emoções e os sentimentos…”

Regras de participação: “Para viver este encontro temos que aceitar as regras do grupo:

–   Todo mundo deve se sentir livre em seguir as indicações, sem se sentir   obrigado nem influenciado por outros;

–   Todo mundo fala em primeira pessoa, e  não respondemos a outros, nem criamos discussões;

–   Por outro lado, todo mundo acolhe o que os outros dizem sem julgar, rir ou comentar;

–   O que diremos e faremos deverá ficar apenas entre nós, não vamos retomar fora daqui”.

 

 

Foto-linguagem com associação al tema

Seguindo todas as indicações em sequencia da foto-linguagem, pedir para encontrar uma foto que fale algo da comunidade…

Depois fazer sentar e partilhar…

Expressão dos desejos ou necessidades em relação ao tema

De olhos fechados, pedir para encontrar na propria vida do que precisa para crescer mais no ser comunidade.

2. ENCONTRO COM A PALAVRA

1. Desiludidos…

Leitura dos vv. 13-24

13 Naquele mesmo dia, o primeiro da semana, dois dos discípulos iam para um povoado, chamado Emaús, a uns dez quilômetros de Jerusalém.14Conversavam sobre todas as coisas que tinham acontecido.15Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles.16Os seus olhos, porém, estavam como vendados, incapazes de reconhecê-lo.17Então Jesus perguntou: “O que andais conversando pelo caminho?” Eles pararam, com o rosto triste,18e um deles, chamado Cléofas, lhe disse: “És tu o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que lá aconteceu nestes dias?”19Ele perguntou: “Que foi?” Eles responderam: “O que aconteceu com Jesus, o Nazareno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e diante de todo o povo.20Os sumos sacerdotes e as nossas autoridades o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram.21Nós esperávamos que fosse ele quem libertaria Israel; mas, com tudo isso, já faz três dias que todas essas coisas aconteceram!22É verdade que algumas mulheres do nosso grupo nos assustaram. Elas foram de madrugada ao túmulo23e não encontraram o corpo dele. Então voltaram, dizendo que tinham visto anjos e que estes afirmaram que ele está vivo.24Alguns dos nossos foram ao túmulo e encontraram as coisas como as mulheres tinham dito. A ele, porém, ninguém viu”

Comentário

“Há dois discípulos que estão saindo de Jerusalém. Eles acabam de vivenciar a morte de Jesus na cruz. Ainda incapazes de suportar o que aconteceu, conversando uns com os outros, caminham expressando sua decepção abertamente. Eles seguiram Jesus, acreditando no Messias; eles colocaram nele tantas expectativas, tantas esperanças… mas se Jesus morreu, eles estavam errados. Esse é o pensamento central deles. Quanto ele viveu naqueles três anos não faz sentido: a única coisa a fazer agora é deixar o passado para trás e procurar um novo Messias.

É por isso que eles dirigem a Emaús: na história, este foi o local da vitória dos judeus e da derrota dos pagãos. Os dois discípulos escolhem ir lá, retornam ao lugar onde talvez tenham uma nova chance: talvez haja um Messias triunfante, derrotando os inimigos, liberando finalmente Israel do domínio romano”

Inversão de papéis com os dois discipulos

“Convido você a fechar os olhos e, reabrindo-os, ao falar três, você se tornará um desses discípulos no caminho. 1,2,3. Você está na estrada para Emaús … atrás de você deixa uma cruz e suas expectativas, suas esperanças decepcionadas … deixa tudo… Você está procurando por algo que faça sentido para sua vida. Os pensamentos surgem em seu coração: “Perdi três anos da minha vida por trás do que eu pensava fosse o Messias, mas realmente morreu como todos os outros, ou pior do que todos os outros… Que infâmia, morrer na cruz… como os pecadores mais pecaminosos… E eu acreditava que ele salvaria Israel! que, finalmente, não haveria mais dominação estrangeira… E acreditava que todas as dificuldades, angústias, abusos acabariam finalmente… Mas agora está tudo como antes, de fato, pior do que antes… Agora também eu devo fugir, ir embora. Que não aconteça o mesmo comigo! Vamos para Emaús, talvez um novo messias apareça. Certamente mais forte do que ele… “.

Ouça seu coração agora … o que você está sentindo? Expresse em voz alta…

Convido você agora a fechar os olhos e a reabri-los, você voltará para ser você mesmo. 1,2,3”.

Espelhamento: nossas desilusões

“Depois de experimentar essa experiência, convido você a repensar sua vida. Quando você experimentou uma experiência similar? Quando você ficou desapontado? Quando o Deus em quem você acreditou o rejeitou? Qual salvação estava esperando?… Quais foram suas esperanças?… E agora, onde você está procurando a salvação? Responda no seu coração…”.

2. Ermenéutica de Jesus

Leitura dos vv. 25-27

.25Então ele lhes disse: “Como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram!26Não era necessário que o Cristo sofresse tudo isso para entrar na sua glória?”27E, começando por Moisés e passando por todos os Profetas, explicou-lhes, em todas as Escrituras, as passagens que se referiam a ele.

Comentário

“Os dois discípulos estão indo para o “antigo”, para aquele passado glorioso, isto é, Emaús, um lugar de esperanças antigas… mas eles não entendem Jesus: Ele veio trazer a novidade! Jesus então abre seu coração para a novidade: ele não ‘explica’ no sentido de ‘dar explicações’, justificando os fatos, mas ‘interpreta’ a Palavra. A interpretação é diferente: é ver as coisas antigas de uma nova maneira, à luz da novidade que ele próprio veio a trazer na história. Jesus, ao interpretar as escrituras, nos diz que a ressurreição não é para descartar tudo o que é antes, mas para vê-lo com novos olhos, com uma nova luz”.

Esquematização simbólica: o velho e o novo

O facilitador coloca um pano roxo escuro no meio: “Este pano representa o ‘antigo’: o que era antes, o passado… representa sua história, talvez essa história ou parte da história que você está se recusando, você não aceitou, você não quer aceitar….

O facilitador coloca um pano branco em cima: “Esta pano representa o novo, abraçando o já conhecido. O que você vê agora? O que está embaixo ainda é visível, mas não é como antes. É mais claro, mais transparente, mais verdadeiro… mais vivo ..

Espelhamento

“Convido você a ler novamente sua vida à luz desse símbolo. O que me diz?”.

 

3. Em relação com ele, encontram uma vida nova

Leitura dos vv. 28-32

28Quando chegaram perto do povoado para onde iam, ele fez de conta que ia adiante.29Eles, porém, insistiram: “Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!” Ele entrou para ficar com eles.30Depois que se sentou à mesa com eles, tomou o pão, pronunciou a bênção, partiu-o e deu a eles.31Neste momento, seus olhos se abriram, e eles o reconheceram. Ele, porém, desapareceu da vista deles.32Então um disse ao outro: “Não estava ardendo o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?”

Comentário

“Jesus quer prosseguir ainda mais, isto é, avançando para o novo, para a novidade: não retorna a Emaús… Ele faz coisas novas… Mas antes da abertura dos discípulos, em frente ao pedido, ele permanece com eles. Na esperança presente deles, no ‘antigo’ deles, mas para transformá-lo. E então, à mesa, no lugar da mais profunda comunhão, eles abrem os olhos”

Esquematização  da cena

O facilitador coloca um pano que representa a mesa, o pano vermelho de Jesus e dois panos claros dos dois discípulos. Coloca também o pão na mesa, já divididos em pedaços do número dos participantes.

Símbolo vivenciado

“Quando Jesus quebra o pão, os olhos se abrem… Jesus tomou pão, abençoou-o, quebrou-o e deu-lhe… Só então ele foi reconhecido. Somente através deste gesto concreto de doação é reconhecido: eles abrem seus olhos e corações e reconhecem isso. Somente o dom de si abre os olhos… Mas Jesus, ao quebrar do pão, não ‘desapareceu’, mas ‘tornou-se invisível’. Porque Jesus permaneceu presente no pão compartilhado”. O facilitador tira o pano de Jesus deixando o pão no lugar dele.

“O pão partido tomou o lugar do Jesus físico. Onde há o dom  da vida, da partilha, Jesus se faz encontrar: ‘Onde dois ou três estão reunidos em meu nome, estarei com eles’ (Mt 18,18). Ser reunidos em nome de Jesus é unir-se em seu próprio amor, que é o dom mútuo de si…”

Inversão de papéis com um dos discípulos

“Convido você agora a colocar-se no papel de um desses discípulos que estão na mesa com Jesus. Feche seus olhos e, reabrindo-os, você não será mais você mesmo, mas você se tornará o discípulo, presente neste momento à mesa com Jesus”…

“Na sua frente, você não vê mais Jesus, mas apenas o pão. Um pão quebrado. O pão que você vê a partir desse momento será um pão completamente novo, que lhe dará força, coragem para a vida. Em seu coração você tem tantos sentimentos… Havia Jesus, agora há pão … Tente expressar o que sente agora, de um nome para os sentimentos que passam em sua mente … Tente dizer algo para Jesus, a quem você não vê mais, mas sabe que existe; Tente dizer algo ao seu companheiro de discípulo…”.

(fazer viver a experiência a quem desejar)

4. Viver ressuscitados na comunidade

Leitura dos vv. 33-35

33Naquela mesma hora, levantaram-se e voltaram para Jerusalém, onde encontraram reunidos os Onze e os outros discípulos.34E estes confirmaram: “Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!”35Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho, e como o tinham reconhecido ao partir o pão.

Comentário

“Os dois discípulos, experimentando isso, logo se levantam e voltam para Jerusalém… Onde encontram a comunidade reunida, uma comunidade que acredita na ressurreição de Jesus… à comunidade podem contar sua experiência e dizer o que aprendeu: cada um pode se tornar um presente para os outros, e o Senhor, onde há amor, aparece e é encontrado como ressuscitado. De verdade!”

Imaginação facilitada

Seguindo as indicações da imaginação facilitada, ajudar os participantes a deixar emergir uma imagem que fale de como pode se doar dentro da sua comunidade.

Depois partilhar em duplas a imagem e a emoção.

3. ORAÇÃO CONCLUSIVA

Ambiente

Colocar o pão e a vela acesa

Símbolo vivenciado

Todos, em duplas como já estão divididos, pegam um pedaço de pão e o quebra em dois, entregando um pedaço para o  outro e comendo-o ele também, dizendo qual é o dom que deseja partilhar, hoje, para fazer crescer sua comunidade.

Conclusão com orações espontâneas e no final o Pai nosso

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