EM MOVIMENTO RUMO À VIDA (Jo 20,1-10) (S. Páscoa)

1. INTRODUÇÃO E SENSIBILIZAÇÃO

Acolhida dos participantes

–   Acolhida e introdução: “Chegamos ao momento culminante de nossa fé. Celebramos a Páscoa, a ressurreição de Jesus, a vida que supera a morte! Hoje queremos entrar nessa experiência, ajudados pelo método do Bibliodrama”.

–   Tema: “Hoje o tema do nosso encontro será EM MOVIMENTO RUMO À VIDA. Ouviremos uma das narrativas da ressurreição, a do Evangelho de João, e perceberemos como o evento mais importante e mais incrível da história é algo que, como primeiro efeito, põe em movimento”.

–   Método: “Não vamos apenas sentar e ouvir, mas vamos viver este encontro com todo o nosso ser. Seremos chamados a nos levantarmos, a partilharmos simplesmente, a nos tornarmos as personagens do Evangelho, participando com o nosso corpo, com as emoções e com os sentimentos…”.

–   Regras de participação: “Para viver este encontro temos que aceitar as regras do grupo:

·         Todos devem se sentirem livres em seguir as indicações, sem se sentirem obrigados nem influenciados por outros;

·         Cada participante fala em primeira pessoa, não responde a outros nem cria discussões;

·         Por outro lado, cada um acolhe o que os outros dizem, sem julgar, rir ou comentar;

·         O que dissermos e fizermos deve ser guardado no coração de cada um, sem retomá-lo fora do encontro”.

Relacionamento com o Espírito Santo

–   O facilitador coloca uma vela acesa no centro: “Vamos começar este nosso encontro, com um momento de relacionamento com o Espírito Santo. O símbolo da luz nos guiou na celebração da passagem, na vigília: o círio pascal iluminou a noite ‘física’ da igreja e ilumina a ‘noite’ de nossa vida… Convido você, agora, olhando para a luz desta simples vela, a repensar, no íntimo de seu coração, na luz que o alcançou na noite de Páscoa… O Espírito Santo nos faz proclamar que Jesus é o Senhor, nos guia ao encontro com esta Luz… Como o Espírito Santo, hoje, o guiou ao encontro com Ele? Convido você a, no seu íntimo, entrar em contato com o Espírito Santo, que, hoje especialmente, o levará a um encontro com o Ressuscitado…” (silêncio).

–   Concluímos juntos com o Glória: “Glória ao Pai…”.

O facilitador retira a vela do centro e a põe em um lugar segura para que fique acesa durante o encontro.

Apresentação dos participantes 10[2]

–   “Agora podemos nos apresentarmos, associando uma palavra, ou cor, ou emoção à palavra “ressurreição” (todos respondem, no sentido da roda).

Apresentação criativa do tema 25 com representação simbólica 28

–   O facilitador pega uma pedra na mão e a mostra para todos: “Uma pedra… a pedra, nestes dias, nos lembra a pedra do sepulcro: fria, dura, que fecha, bloqueia, impede… A pedra é um sinal de morte… ‘Colocamos uma pedra em cima’, costumamos dizer entendendo que ‘essa coisa não existe mais, não a consideramos mais… já era’. Uma pedra foi colocada na frente do sepulcro e o significado era que Jesus não existia mais, aquela história acabou…”.

–   O facilitador deixa a pedra cair no chão (em algo macio): “Mas em si a pedra fala de morte: ela não respira, não se move, não se mexe sozinha… é estática… como a morte. Na mesma forma em que eu tinha ela na minha mão, agora está no chão”.

–   O facilitador passa do outro lado, pega um pano branco leve e o lança ao alto, deixando-o cair depois no chão: “Eis, ao invés, um símbolo da ressurreição! Movimento, ascensão e descida, algo que se move, toma uma forma ou outra… algo de não definido, mas criativo, assim como este pano branco assumiu agora uma forma que ninguém de nós decidiu…”.

–   O facilitador convida a olhar a composição assim criada: “Vamos olhar para estes dois símbolos: a pedra (símbolo da imobilidade da morte) e o pano branco (símbolo do movimento, da transformação, da ressurreição): o que dizem agora à minha vida?” (Dois ou três partilham).

Sociometria (Barômetro): onde eu me encontro? 17[3]

–   Criação do Barômetro: “Agora usamos esses dois símbolos como pontas de uma linha, que indica o caminho rumo à ressurreição. A pedra indica ficar parado, estático: ‘para mim, tudo está já decidido, está fixado, não há nada que possa mudar na minha vida’… No outro lado, o pano branco indica minha vontade de me deixar mudar completamente, como este pano que, lançado no ar, pode assumir milhares de formas diferentes… minha vontade de ser tomado pelo Espírito do Ressuscitado que faz novas todas as coisas… Minha vontade é uma vida diferente…” (no meio, coloca outro sinal para representar o ponto central).

–   Convida para se situar: “Olho para esta linha e me pergunto: onde me encontro hoje, neste momento? Agora irei contar até três, e, todos ao mesmo tempo, cada um irá se colocar dentro desta linha, mais próximo ou mais longe de cada ponta, conforme estiver vivendo a experiência pessoal; não podemos, porém, nos colocar no meio da linha… Pensando neste momento na sua vida, no seu ‘hoje’… onde você se encontra? Amanhã, você poderá se colocar em um lugar diferente, ontem poderia ser diferente, mas hoje onde você se situa? Sem olhar para o que fazem os outros… 1,2,3″.

–   Depois que todos estiverem na linha: O facilitador interpreta a foto de grupo. Verbaliza o que o grupo mostra, dependendo de como ele se situou na linha.

–   Entrevistas, pegando um grupo por vez: “Tem alguém que está mais próximo do centro, de um lado ou de outro, que pode nos dizer, brevemente, por que se colocou nesta posição? (Deixar expressar livremente)… “Agora vamos deste lado aqui (um ou outro) e vou perguntar o mesmo a quem se colocou nesta parte: há alguém que pode nos dizer, brevemente, por que se colocou nesta posição?” (Depois faz o mesmo com o grupo que se colocou na outra metade, e por fim, com os dois grupos que se colocaram perto de uma e da outra ponta. Se houver pessoas de um lado e do outro, pode propor uma interação, pedindo a um grupo para fazer uma pergunta ao outro ou para dar uma mensagem. Não é necessário que o grupo responda às perguntas).

Expressão dos desejos e necessidades 42

–   O facilitador conduz a interiorização: “Agora, na posição em que você está, convido a fechar os olhos e olhar para dentro de você, se perguntando: como posso crescer na vontade de me deixar transformar, de receber uma nova vida? Do que preciso para se entregar completamente a esta novidade que Jesus traz? Pode expressar essa necessidade em voz alta, com uma palavra ou uma frase curta” (se expressam livremente).

–   Convida a sentar: “Agora podemos sentar e acolher a história desta experiência extraordinária”.

A pedra e o pano branco são retirado do centro.

2. ENCONTRO COM A PALAVRA

Leitura de Jo 20,1-10

No primeiro dia da semana, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, Maria Madalena foi ao túmulo e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. Ela saiu correndo e foi se encontrar com Simão Pedro e com o outro discípulo, aquele que Jesus mais amava. Disse-lhes: “Tiraram o Senhor do túmulo e não sabemos onde o colocaram”. Pedro e o outro discípulo saíram e foram ao túmulo. Os dois corriam juntos, e o outro discípulo correu mais depressa, chegando primeiro ao túmulo. Inclinando-se, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou.

Simão Pedro, que vinha seguindo, chegou também e entrou no túmulo. Ele observou as faixas de linho no chão, e o pano que tinha coberto a cabeça de Jesus: este pano não estava com as faixas, mas enrolado num lugar à parte. O outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo, entrou também, viu e creu. De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.

Os discípulos, então, voltaram para casa.

Todos se tornam Maria Madalena com a imaginação 62

No primeiro dia da semana, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, Maria Madalena foi ao túmulo e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo.

–   O facilitador convida à inversão de papéis com a imaginação: “Convido você, neste momento, a fechar os olhos e, quando eu contar três, você não será mais você mesmo, mas será Maria Madalena. 1,2,3 (…)”.

–   O facilitador conduz a imaginação: “Maria, você está em sua casa, na sua cama, mas não consegue dormir. Estes dias foram intensos demais, ainda não consegue acreditar na morte de Jesus… Você quer vê-lo novamente, gostaria de encontrá-lo novamente… mas ele se foi… Não poderá vê-lo, porque há uma pedra grande na frente desse sepulcro… Mas seu desejo é tão grande que no seu coração você quer ir, você quer ficar lá, com ele”.

Todos se tornam Maria Madalena também com o corpo (72)

–   facilitador convida à inversão de papéis completa: “Agora, ao contar três você, Maria, poderá abrir os olhos e levantar-se, começando esta caminhada até o túmulo, em direção a Jesus. Você é Maria Madalena indo ao sepulcro. 1,2,3 “(Todo mundo começa a andar na sala).

–   O facilitador conduz o grupo a caminhar vivenciando a experiência: “Está escuro, ao redor. Tudo está no silêncio. Ainda é noite… Ouça seus passos, enquanto você vai ao sepulcro… quais pensamentos emergem em seu coração enquanto você está fazendo esse caminho? Expresse em voz alta o que você sente e pensa…” (se eles não se expressarem, ajude-os com frases-convite como “Indo ao sepulcro de Jesus, eu sinto… eu penso…” ou, mesmo, fale em primeira pessoa também você, como Madalena, indo ao sepulcro).

–   Depois que os sentimentos e as emoções de Maria Madalena forem explorados: “Convido você agora a parar, fechar os olhos e, ao reabri-los, não será mais Maria Madalena, mas você mesmo. 1,2,3. Agora convido todos a se colocarem em um lado da sala”.

Esquematização do sepulcro com comentário 59

–   O facilitador esquematiza o túmulo e a pedra deslocada, do lado oposto: “Maria Madalena agora encontra-se diante do túmulo (coloca um pano cinza) e, afastada, vê a pedra (coloca a pedra usada para a apresentação criativa do tema no começo). Mas ela não entende… para ela, o sepulcro aberto significa sepulcro vazio, significa roubo do corpo de Jesus… Pensa imediatamente que alguém roubou o corpo”.

Espelhamento: o que me foi roubado… 99

–   Perguntas interiores: “Agora, você, como Maria, está em frente a essa cena inesperada. Maria, em seu coração, pensou no pior: ‘Roubaram Jesus…’. Houve, na sua vida, um momento em que algo ou alguém importante lhe foi tirado? Você experimentou esse desespero de Maria Madalena?“.

Estátua corpórea 123

–   O facilitador convida a fazer a estátua:”Convido você, ao contar três, a expressar com seu corpo, como fazendo uma estátua, a emoção que sente pensando nesse fato de dor na sua vida. 1,2,3”.

–   Facilita a expressão das estátuas: “Agora vou passar perto de você e vou tocar no seu ombro, e quando você se sentir tocado, você poderá expressar uma palavra que associa a esse momento” (fazer expressar todos, se possível).

–   Depois que todos se expressarem: “Agora podem desfazer a estátua”.

Comentário: A primeira corrida: do “sepulcro” ao “externo”…

Ela saiu correndo e foi se encontrar com Simão Pedro e com o outro discípulo, aquele que Jesus mais amava. Disse-lhes: “Tiraram o Senhor do túmulo e não sabemos onde o colocaram”.

–   “Maria Madalena não fica em silêncio, não fica ‘estátua’, como nós fizemos. A primeira coisa que faz é correr. Mas para onde? Corre até os amigos de Jesus, aqueles que compartilharam a experiência de Jesus com ela, levando consigo todo seu desespero”.

Partilha em duplas

–   Introduz a partilha: “Agora, eu convido vocês a se colocarem em duplas, procurando uma pessoa que conhecem bem, e compartilhem entre vocês a experiência que experimentaram neste momento de dificuldade diante algo que perdeu, que sentiu roubado. Lembramos que não precisa dizer tudo, não precisa contar a experiência passada que poderia ser também muito difícil, mas compartilhem a emoção de agora, o que sentem que podem compartilhar com o irmão, com a irmã para entregar-lhe esta experiência” (deixe alguns minutos).

Comentário: a corrida do “externo” para o “sepulcro”

Pedro e o outro discípulo saíram e foram ao túmulo. 4Os dois corriam juntos…

–   “A partilha de Madalena, feita ‘correndo’, leva a outra corrida, a de Pedro e João. Eles correm juntos, mas…

o outro discípulo correu mais depressa, chegando primeiro ao túmulo.’

     É uma corrida de amizade. João é mais novo, corre mais rápido… mas ele espera que Pedro chegue, quer deixar para ele a  primazia, quer permitir que ele veja por primeiro… os sinais da ressurreição de Jesus”.

Esquematização da cena 59

–   O facilitador apresenta as personagens: “O texto então nos diz que João chega, mas espera fora do túmulo (pano azul perto do sepulcro) enquanto Simão Pedro entra (coloque um pano verde no sepulcro). No interior do sepulcro há as faixas de linho no chão (coloque um pano bege) e o pano que tinha coberto a cabeça de Jesus: este pano não estava com as faixas, mas enrolado num lugar à parte (coloque um pano branco). Um pouco mais longe, sabemos que há Maria Madalena que chora (pano cor de rosa).

–   Convido você, agora, a olhar para essas personagens, neste momento da cena:

– Pedro

– João

– As faixas de linho

– O sudário (pano que tinha coberto a cabeça de Jesus)

– O sepulcro

– A pedra

– Maria Madalena fora do túmulo, que chora.

     Estamos no momento em que João entra, vê e acredita…”.

Escolha da personagem e duplos 66 ou espelhos 63

–   “Vamos, agora, nos deixar atrair por uma dessas personagens e, livremente, podemos nos aproximar, um de cada vez, dela para dar-lhe voz, com um solilóquio ou dando uma mensagem às outras, ou, ficando na cadeira, podemos fazer um espelho dela, dizendo o que está sentindo, pensando, dizendo agora…” (deixar um tempo para vivenciar isso. No final, desmontar a cena).

Imaginação facilitada 101

–   “Eu convido você agora a encontrar uma posição confortável e fechar seus olhos”.

     Respiração: “Comece a respirar profundamente, sentindo o ar bom entrar, símbolo do Espírito que dá vida e, expirando, jogue fora todo o negativo, o que o bloqueia, o que o faz ficar parado…”.

–   Percepção do centro: “Entre sempre mais profundamente em você… no seu centro… em seu coração, em sua alma… Onde você é você mesmo, livre de todo fechamento… E neste lugar de verdade, pense nesta história que vivenciamos, nessa corrida das personagens, a corrida do desespero e a corrida para a vida…”

–   Surgimento da imagem: “Repense na sua necessidade inicial e deixe que surja no seu coração uma imagem da sua vida em movimento rumo à plenitude da vida… Uma imagem simbólica, ou um fato da sua vida, uma paisagem… Pode ser que surjam mais imagens, não as julgue, não as interprete, mas pare naquela que mais o emociona… Quando você viu a imagem e deu um nome à emoção, pode abrir os olhos…”.

Partilha

No grupo, partilha-se a imagem e a emoção experimentada.

3. ORAÇÃO CONCLUSIVA

Ambiente 128

No centro, coloque o círio pascal ou, na falta, a vela acesa no começo e o pano branco usado no início, símbolo de vida nova.

Símbolo vivenciado 129

–   Introdução: “Os discípulos, então, voltaram para casa. Também nós, depois desta vivência, voltaremos para casa… mas antes vamos levar a experiência do nosso encontro a Deus. Temos a luz que nos lembra, hoje, o Ressuscitado, e temos este símbolo, o pano branco, da vida nova, da novidade que pode entrar em cada um de nós, transformando-o”…

–   Convite ao gesto: “Agora eu convido vocês a passarem, um ao outro, esse pano… e ao recebê-lo, cada um pode fazer o gesto que deseja com ele: mantê-lo na mão, abraçá-lo, envolver-se… é o símbolo da nova vida oferecida por Jesus. E faça livremente uma oração, de louvor ou de invocação para Jesus Luz, Jesus ressuscitado…”.

Viver esse gesto com tempo suficiente para que cada pessoa se expresse. No final, colocar de novo o pano perto do círio.

Concluir juntos com a oração do Pai nosso

Antes de fechar, cada um com uma palavra ou breve frase expressa o que leva para casa no fim deste encontro.


[1]    Este roteiro se encontra também em Vigini L. (2019), Bibliodrama Pastoral e os Tempos da IVC. Ferramentas expressivas e experienciais seguindo o Itinerário Catequético proposto pelo Doc. 107 da CNBB, [Versão Kindle], ASIN: B07RNJV9BS.

[2] Fazemos referência à ferramenta do Brainstorming mas, sendo que a associação ao tema acontece junto com a apresentação dos participantes, a expressão não fica livre mas se segue o sentido da roda

[3] Neste caso, a construção inicial do Barómetro aconteceu durante a apresentação criativa do tema.

Esta entrada foi publicada em Domingo de Páscoa, Roteiros João. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.