Permanecer no caminho da cruz (Mt 26.14-27.66) (Mt 21.1-11)

1. INTRODUÇÃO E SENSIBILIZAÇÃO

Acolhida dos participantes

– Acolhida de todos e introdução: “Estamos nos aproximando dos dias centrais da nossa fé cristã, os dias da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Neste domingo, lembramos da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, mas, ao mesmo tempo, receberemos a leitura completa da paixão. E hoje tentaremos reviver o Evangelho auxiliados por algumas ferramentas do Bibliodrama”.

– Tema: “Hoje o tema do nosso encontro será PERMANECER NO CAMINHO DA CRUZ. Queremos seguir Jesus no caminho da cruz para viver esta experiência com ele e descobrir o que ele tem a dizer para a nossa vida”.

– Método. “Não vamos apenas sentar e ouvir, mas viveremos este encontro com todos nós: não apenas a mente, mas sobretudo o coração, a imaginação, os sentimentos…”.

– Regras de participação: “Para viver este encontro, temos que aceitar algumas regras de grupo:

– Todos estarão livres para atuar as indicações, sem se sentir forçados ou condicionados por outros;

– Todo mundo fala em primeira pessoa, evitando responder aos outros ou criar discussões;

– Por outro lado, todos estão comprometidos em aceitar o que os outros dizem sem julgar, rir ou comentar;

– O que cada um, em liberdade, diz sobre si mesmo ou faz, deve ser mantido no coração de cada um, sem retomá-lo fora do encontro”.


Relacionamento com o Espírito Santo

– O facilitador coloca uma vela acesa no centro: “A história que o Evangelho oferecer-nos-á hoje e nestes dias da Semana Santa não é fácil de aceitar e entender. Com esta vela, como sempre, lembramos simbolicamente a presença do Espírito Santo, a Quem, neste momento, queremos pedir para agir com poder em nós, abrindo nossa mente para esse grande mistério.

– Convite para um momento interior e pessoal: “Vivemos um momento pessoal de encontro com Ele dentro de nós, para que ele nos guie a entender a Palavra hoje de uma nova maneira” (momento de silêncio).

–  Conclua juntos com o Glória: “Com essa consciência, esse relacionamento, agora podemos louvar a Deus que se faz presente e nos ama: Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio e agora e sempre. Amém“.

Apresentação com associação ao tema

– O facilitador nos convida a nos apresentar: “Antes de entrar no coração da Palavra, simplesmente nos acolhemos novamente, dizendo o nosso nome (se tiver participantes novos) e uma palavra que associamos, em nossa vida e experiência, à palavra cruz” (seguindo a roda, todos se expressam).

Expressão das necessidades / desejos 42

– O facilitador ajuda a introspecção: “Agora que todos expressamos como encaramos essa realidade, convido você a fechar os olhos, olhar para dentro de si e ver sua necessidade diante desse tema… Do que você precisa para ser capaz de acolher, aceitar, olhar para a cruz sem medo? Se quiser, em voz alta, você pode expressar essa sua necessidade com uma palavra ou uma frase curta “(possivelmente faça todo mundo falar).


2. ENCONTRO COM A PALAVRA

Introdução

– “Neste dia, dois momentos diferentes na vida de Jesus nos são oferecidos, em oposição um ao outro. Vamos começar lendo o primeiro, que nos fala sobre como Jesus foi recebido, entrando em Jerusalém”.

Leitura do Mt 21.1-11

Naquele tempo: Jesus e seus discípulos aproximaram-se de Jerusalém e chegaram a Betfagé, no monte das Oliveiras. Então Jesus enviou dois discípulos, dizendo-lhes: ‘Ide até o povoado que está ali na frente, e logo encontrareis uma jumenta amarrada, e com ela um jumentinho. Desamarrai-a e trazei-os a mim! Se alguém vos disser alguma coisa, direis: ‘O Senhor precisa deles, mas logo os devolverá’.’ Isso aconteceu para se cumprir o que foi dito pelo profeta: ‘Dizei à filha de Sião: Eis que o teu rei vem a ti, manso e montado num jumento, num jumentinho, num potro de jumenta.’ Então os discípulos foram e fizeram como Jesus lhes havia mandado. Trouxeram a jumenta e o jumentinho e puseram sobre eles suas vestes, e Jesus montou. A numerosa multidão estendeu suas vestes pelo caminho, enquanto outros cortavam ramos das árvores, e os espalhavam pelo caminho. As multidões que iam na frente de Jesus e os que o seguiam, gritavam: ‘Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus!’ Quando Jesus entrou em Jerusalém a cidade inteira se agitou, e diziam: ‘Quem é este homem?’ E as multidões respondiam: ‘Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galiléia.’

Comentário

Jesus entra triunfalmente em Jerusalém… mas numa jumenta.

Queremos enfatizar as atitudes da multidão:

– estendem suas vestes pelo caminho (como é feito para a recepção de um rei…);

– outros espalham ramos pelo caminho, que cortam das árvores;

– na frente e atrás de Jesus há um coro que grita: ‘Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus’ (expressão de louvor, de bênção…);

– e as multidões, unânimes, reconhecem quem é Jesus: ‘Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galiléia

Mas essa mesma multidão, que agora o precede e segue neste caminho de ‘glória’, seguirá também outro caminho com Jesus: o da cruz… E essa multidão, que anteriormente o louvava unânime, agora se diferencia em várias personagens… personagens que vivem atitudes diferentes em relação a Jesus.

Agora queremos simbolizar esse segundo caminho entre nós”.

Esquematização das personagens 59 em oposição 97 (cf. Mt 26.14-27.66)

(O pano de Jesus é colocado no centro. Uma depois da outra, as personagens que estão no caminho da cruz são apresentadas e colocadas, através de um cartaz com o nome e uma fita para poder ser pindurados, de um lado ou do outro de Jesus para representar o contraste: de um lado, quem estava com Jesus, do outro, quem estava contra Jesus).

– Judas (contra) que vende Jesus por 30 moedas e leva os soldados e a multidão a prendê-lo;

– Pedro (com), que promete defender a vida de Jesus e depois o renega;

– Tiago (com), chamado por Jesus para vigiar com ele, juntamente com Pedro e João, mas adormece;

– João (com), o discípulo amado, que chegará até debaixo da cruz (Mt não diz isso, mas o sabemos por João);

– os outros apóstolos (com), que vivem a última ceia com ele;

– Multidão com espadas e paus (contra), vem prender Jesus

– o sumo sacerdote (contra), que julga Jesus culpado de morte como blasfemador;

– as falsas testemunhas (contra), que aceitam dinheiro para testemunhar contra ele;

– os servos do sumo sacerdote (contra), que dão um tapa e zombam dele;

– Pilatos (contra), que não assume pessoalmente a sentença de Jesus, mas a delega à multidão;

– os soldados (contra), que o espancam, preparam a coroa de espinhos, zombam dele…;

– Simão de Cirene (com), que acidentalmente entrou na história de Jesus, compartilhando sua provação por um tempo enquanto carrega a cruz;

– os dois ladrões (contra), crucificados com Jesus (Mateus denota os dois de maneira negativa);

– Maria, a mãe de Jesus (com), (Mateus não a nomeia, mas existe);

– Mulheres (com) (Maria Maddalena, Maria mãe de Tiago e Salomé);

– o Centurião (com), que reconhece Jesus, o Filho de Deus;

– José de Arimatea (com), que leva o corpo de Jesus ao sepulcro.

Escolha da personagem com inversão de papéis 65

– O facilitador convida a caminhar para rever os nomes das personagens: “Convido vocês, neste momento, a se levantarem e passarem perto de cada uma dessas personagens, tentando ver, em cada uma, o que significou para ela viver neste caminho… O que ela pensou seguindo Jesus, vendo-o carregado da cruz, sangrento, zombado… Deixe-se atrair por uma delas, não a que parece com você, mas a que você vê melhor, da qual enxerga as emoções, motivações, pensamentos…”.

– Convide para se aproximar do cartaz da personagem: “Convido você, agora, a se aproximar da personagem que o atrai hoje”.

– Inversão de papéis com a personagem: “Agora eu convido você a fechar os olhos e, quando eu contar até três, permanecendo com os olhos fechados, você não será mais você, mas essa personagem. 1,2,3″.

– Expressão de emoções: “Agora passarei perto de você e tocarei seu ombro e, quando você se sentir tocado, poderá dizer quem é e como se sente agora, no caminho da cruz” (possivelmente passe perto de todos).

Escolha dos atores no processo 80

– O facilitador convida apenas um do grupo a ficar para dramatizar a personagem: “Agora você pode abrir os olhos e, onde houver mais de um participante por personagem, convido você a escolher apenas um de vocês que dramatizará essa personagem; o resto do grupo voltará a seus lugares e, ao fazê-lo, se tornarão eles mesmos novamente”.

– Convite àqueles que estão fora para assumir o papel das eventuais personagens deixadas sem intérprete: “Entre aqueles que estão de fora, há alguém que pode entrar no papel da personagem que não foi escolhida por ninguém?”.

Depois de todos ou quase todos[1] os personagens tiverem um ator, o facilitador pode iniciar a dinâmica do processo.

Dinâmica do processo[2]

– O facilitador ajuda todos a desempenharem seu papel, mesmo com o corpo: “Agora convido todos a usarem o cartaz que você tem e feche os olhos, para reviver a inversão de papéis de forma completa, também com o corpo, assim também aqueles que estão em uma personagem que não havia escolhido antes pode entrar no papel dele… Quando eu contar até três, reabrindo os olhos, você não será mais você ou a personagem apenas com a imaginação, mas será essa personagem também com seu corpo. 1,2,3″.

– Convite para entrar no corpo da personagem: “Convido você, neste momento, a começar a andar livremente, tentando sentir a personagem que você é em seu corpo. Tome seu passo, suas características de movimento, a sua postura… até exagerando, para sentir e perceber melhor você…”.

– Depois que todos “entraram”, o facilitador convida a entrar no “processo”: “Agora vamos viver um debate juntos, porque queremos entender o que aconteceu e, portanto, pergunto a vocês, personagens que conheceram Jesus e que o seguem neste caminho da cruz, para expressar seus pensamentos em relação a esse homem, Jesus, e por que você está de um lado ou de outro, para defendê-lo ou condená-lo”.

Uma espécie de debate começa, como sinal de um debate interior que todos vivemos, o crente e o não crente. Tentamos provocar, como facilitadores, para que a oposição e as idéias de uma parte e da outra emergiam bem, para que se expressem o ‘incrédulo’… o ‘decepcionado por Jesus’… o ‘Deus que resolve problemas’…  etc.)

– Quando as motivações e as escolhas são exploradas, o facilitador convida todos a saírem do papel: “Podemos abrir os olhos e nos sentar novamente, deixando nossos cartazes e, assim, todos saímos do papel”.

Partilha de reflexões 127

– O facilitador convida a compartilhar: “Todos, a partir do que surgiu, podem compartilhar uma breve reflexão sobre o que tudo isso disse à sua existência”.

No final,, toda a cena é desfeita.

Imaginação facilitada 104

– Relaxamento: “Convido você a escolher uma posição confortável; feche os olhos e comece a respirar bem devagar… sinta o ar que entra mais fresco e sai mais quente da sua boca…”.

– Percepção do centro: “A cada expiração, convido você a descer a cada vez mais dentro de você, em direção ao centro, ao coração de si mesmo, si mesma… onde o Espírito Santo abraça sua alma… na fonte de amor em você, no lugar da verdade de você. Neste lugar da verdade, pense no que você experimentou… em Jesus que caminha rumo à cruz e nos convida a segui-lo… e em nossa necessidade inicial diante da cruz…”.

– Surgimento da imagem[3]: “Agora, pensando em nós e em nossa vida, deixamos surgir uma ou mais imagens dentro de nós… esperamos sem pressa, sem julgá-las, mas as recebemos pelo que são e pela emoção que nos transmitem. E quando capturarmos a imagem que mais ressoa em nós, vamos nos concentrar nela, damos tempo para saborear a emoção que a acompanha… e vamos fixá-la bem em mente. Então, quando conseguirmos viver isso, poderemos abrir os olhos… sem pressa”.

Compartilhando a imagem

– O facilitador convida a compartilhar: “Quem quiser, agora, pode compartilhar a imagem que emergiu e a emoção experimentada” (deixe o compartilhamento espontâneo).


3. ORAÇÃO CONCLUSIVA

Ambiente 128

Coloque dois panos em forma de cruz e o pano de Jesus sobre ela, deitado na cruz, com a vela acesa ao lado.

Orações a Jesus antes da cruz

–  “Hoje queremos concluir nosso encontro diante da cruz de Jesus… Mas não somos mais Pedro, Judas, Pilatos, João, Maria… mas somos nós, com nossa vida, com nossa história feita de fidelidade e infidelidade, dúvidas e certezas… Agora estamos, assim como somos, no caminho da cruz, diante desta cruz que ainda nos assusta… Então, expressamos a Jesus o que carregamos em nossos corações, no final deste encontro… até, se quisermos, assumindo a postura mais apropriada diante deste mistério” (expressemos livremente orações espontâneas dirigidas a Jesus na cruz).

Conclua junto com a oração do Pai nosso

Antes de encerrar, cada um expressa uma palavra de síntese do que levam para casa do encontro vivenciado.


[1]    Em grupos pequenos, necessariamente, haverá personagens não interpretadas por ninguém. Neste caso, é bom verificar que do lado e do outro haja um número igual ou parecido de personagens

[2]    Eu coloco como referência a ferramenta 20, que fala da dinâmica do processo, mas com a especificação de que neste instrumento se atua no nível da realidade (ou seja, cada um, no processo, coloca suas próprias motivações pessoais) enquanto no contexto atual estamos no nível da meia realidade (cada um expressa a semi-realidade da personagem), iniciando uma forma específica de dramatização que poderia ser considerada entre as possibilidades de uma dramatização simplificada (ferramenta 96). A dinâmica também pode ser relacionada ao instrumento 97, que coloquei como referência para a esquematização em oposição das personagens. Mas esse caso é uma dinâmica diferente, pois cada personagem fala por si mesma e não como uma “parte” e, além disso, a troca das partes não ocorre, como é previsto para a ferramenta 97. Em resumo, seria melhor considerar essa dinâmica como uma dramatização simplificada realizada através da dinâmica do processo de uma personagem.

[3] CF. Podemos facilitar a emersão de uma imagem que mostre como eu, hoje, posso doar minha vida para fazer florescer a vida ao meu redor.

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