Deus amou tanto o mundo (Jo 3,16-18) (SS.ma Trindade)

Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito,
para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna.
De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele.
Quem nele crê, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito.

Jo 3 16-18


Introdução

Vamos tentar entrar neste diálogo de Jesus com Nicodemos que, como sabemos, não começa neste momento; de fato, grande parte da conversa já ocorreu. Antes disso, ouvimos o discurso sobre “renascer da água e do Espírito”, que Nicodemos não entende, e pergunta como alguém poderia voltar ao útero da mãe… enquanto Jesus tenta explicar o renascimento espiritual e não “físico”.

Diante dos mal-entendidos de Nicodemos, Jesus vai ainda mais na profundidade. Jesus vai para o centro do mistério. E nas palavras que seguem, lemos a profundidade da revelação da missão de Jesus e de seu significado no contexto da Teologia da Salvação.

Também nós tentamos, embora na ponta dos pés, ir mais para o fundo, entender… mesmo que nós, como Nicodemos, também estejamos longe de compreendere a plenitude da revelação.

1. Um amor “ausente”

Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito,

Simbolizamos esse primeiro conceito, essa primeira revelação, com a COR VERMELHA (podemos colocar um pano vermelho aberto à nossa frente, em todo o seu tamanho).

Vermelho é a cor que simboliza o amor, e aqui falamos sobre o amor de Deus: Deus amou tanto o mundo.

O objeto do amor de Deus é o mundo. Em seguida, colocamos o mundo diante desse amor, representando-o com um pano marrom, colocado como normalmente colocamos uma personagem, mas também para simbolizar, neste caso, a forma: o mundo é a Terra, somos todas as pessoas que moram lá. A humanidade em todas as latitudes e longitudes.

Deus amou tanto o mundo … que deu o Filho unigênito…

O amor de Deus pelo mundo (externo a Ele) parece se manifestar com um não amor por Seu Filho (dentro Dele). Ao dar, há uma separação, ao dar de forma sangrenta, há um sacrifício, uma dor. Parece que o Filho, como dado, não é amado. Por que Deus não amou Seu Filho? Ele amou o mundo tanto, mas não amou o Filho, porque ele o deu. Como é que Deus “deu”?

Lembro-me de minha mãe me dizendo, na adolescência, quando eu estava mais na paróquia do que em casa: “Você sempre faz tudo para todos, fora, mas aqui em casa…“. Será que poderíamos “repreender” Deus por isso, porque pensa em todos, mas não pensa em Sua Casa? Por que dá o Filho, entrega-o, separa-se dele, perde-o, sacrifica-o…?

Se olharmos para essa “falta de amor pelo Filho”, poderíamos definir o amor de Deus como uma cor VERMELHA que está vazia por dentro (crie um espaço vazio no centro do pano vermelho). Um amor que está FORA, mas NÃO DENTRO, poderíamos pensar:

2. De DENTRO para FORA

Na realidade, esse vazio existe porque esse DENTRO, que estava nele, é enviado FORA por Ele (coloque o pano vermelho de Jesus no mundo):

Lá fora, porque o Filho, FORA, pode mostrar Amor. Esse amor continua a ser VERMELHO, como o tecido que normalmente usamos para representar Jesus, mas é um VERMELHO QUE ESTÁ FORA, que mostra como esse amor realmente chegou ao mundo. Jesus, de DENTRO de Deus, agora está FORA DE DEUS, mas DENTRO do mundo.


3. A resposta ao amor: fé

Esse amor veio ao mundo, mas pede para ser acreditado.

para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna.

Como resposta a este amor, há fé. O Filho AMA e a humanidade é convidada a ACREDITAR. Representamos a fé com um pano azul que envolve o relacionamento entre o mundo e Jesus, o Filho.

Mas poderíamos nos perguntar: será que ACREDITAR significa AMAR? Normalmente, o amor é respondido com o amor… o que a fé tem a ver com isso? Um namorado, que diz a sua namorada “eu te amo”, espera a resposta “eu também te amo”. Deus, no entanto, apaixonado, ao dizer ao mundo, à humanidade: “Eu te amo”, espera a resposta: “Eu creio em você”. “Eu acredito em você”.

Se refletirmos sobre isso, é lindo.

Acredito em você quer dizer que, mesmo quando esse amor não é expresso como eu quero,  acredito que esse amor existe. Eu acredito que você me ama, mesmo que, diante de mim, eu só veja o sofrimento, eu só vejo essa doença…

Mas isso também significa que acredito em você, acredito em sua existência, mas não apenas como “ser”, mas acredito que você é “para mim”. Eu acredito que você quer ser presença para mim… que você está.

Eu acredito em você também significa dizer: Eu acredito no que você diz, eu acredito nas suas palavras … Então eu acredito na SUA PALAVRA… Jesus, que é Palavra…

4. Acreditar = vida eterna

Mas qual é a consequência dessa fé?

Quem acredita nele não morre. A tradução italiana fala “não se perde”.

Porque há o risco de se perder. Que é morrer…

O Filho sai para que a humanidade não se perca… Mas por que deveria se perder? Onde ele deveria se perder?

A humanidade se perde na medida em que não sabe mais quem é e, portanto, não sabe mais o que fazer e, portanto, não sabe mais para onde ir. Ela se perde porque não é mais ela mesma …

QUEM ACREDITA Nele NÃO MORRE, NÃO SE PERDE é como dizer que QUEM NÃO ACREDITE Nele MORRE, SE PERDE…

Se você não acredita que existe um AMOR que chega até você, isto é, se você não acredita que É AMADO, você já perdeu sua identidade. Quem é Você? Uma criatura amada por Deus. Quem não sabe disso, quem não reconhece isso, quem não experimenta isso significa que não sabe mais quem ele é. Está perdido.

O que é vida eterna? Não se perder, não morrer, ou seja receber para sempre, pela eternidade, o que lhe dá vida: SER AMADO.

5. Um amor que perdoa

17De fato, Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele.

Então o Filho não veio para destruir, condenar os pecados, aniquilar a humanidade (pano vermelho que domina ou mundo)

mas para mostrar que o amor de Deus vai além do pecado (pano vermelho que abraça o mundo).

Quando você se sente mais amado? Quando você sente que está perdoado. Ou seja, quando você é amado não porque merece, mas quando você não merece… É aí que você é amado só porque você é, e não porque é bom ou santo…

6. Um amor que pode ser rejeitado…

Quem nele crê, não é condenado, mas quem não crê, já está condenado, porque não acreditou no nome do Filho unigênito.

Estamos todos salvos, então? Infelizmente não. Porque, como dissemos antes, é preciso ter fé. Eu tenho que acolher o amor, tenho que dizer sim, eu acredito nisso. EU ACREDITO EM VOCÊ. Porque o amor também pode ser rejeitado.

Quem não acredita no AMOR que os atinge já se condenou à NÃO VIDA.

Porque ou você “é” neste abraço, ou você “não é”… Você não existe se você não existir para Alguém, e se este Alguém é eterno, você existe para a Eternidade, porque é o seu Ser que me faz Existir. Eu sou porque sou nele e por ele.

7. Um Deus que é Trindade

Este texto que nos fala do grande amor de Deus pela humanidade nos é oferecido hoje para celebrar a SOLENIDADE DAS SS. TRINDADE. Porque? O que esse texto tem a ver com a Trindade?

Porque basicamente nos diz a essência de Deus.

Porque Deus é Trindade que escolheu DIVIDIR-SE para poder UNIR-SE com o homem, com a humanidade. Deus é o amor que incorpora, que aceita, leva dentro de si.

Porque se o que representamos foi o que aconteceu com a vinda de Jesus,o Filho de Deus, no mundo, na realidade, também devemos dizer o que aconteceu depois, depois da vinda de Jesus ou melhor depois da ressurreição. (Coloque o pano vermelho de Jesus e o pano marrom no espaço vazio de Deus Amor). Aconteceu isso:

Não há mais distância, não há mais separação. Existe só unidade. Em distinção, mas unidade. Porque marrom permanece marrom e vermelho vermelho, mas eles estão juntos, e a humanidade, o mundo, se redescobre completamente. Ele não se perdeu, mas tem um lugar, uma casa para ficar, o que Jesus chama de Casa do Pai.

Então Deus é Trindade porque não absorve, não achata, não destrói o outro, mas entra em comunhão, respeitando a diversidade. Porque Deus, em si mesmo, vive isso: Deus Pai não destrói Deus Filho, e juntos eles não destro Deus Espírito Santo: todos amam o outro porque todos são diferentes e juntos eles são o único Deus verdadeiro.

Aqui está, então, a razão, o significado desta grande celebração, celebrada com este texto. Não para celebrar o “Deus lá em cima”, onipotente, invisível, distante… Mas para celebrar o “Deus aqui em baixo”, Deus que saiu de si mesmo para nos alcançar. Só então ele nos deixou saber quem Ele realmente era. E só assim sabemos quem realmente somos. Filhos amados. No Filho. Quem nos leva à casa do Pai, como Amados pela Eternidade.


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