3. Ferramentas para comunicar o tema de uma forma criativa

Um dos objetivos da  Fase de Introdução e aquecimento é sensibilizar sobre o tema proposto. É importante, por isso, que o facilitador aprenda a comunicar e encontre formas envolventes para comunicar o tema de forma criativa

É muito importante como é colocado o conteúdo. Para chegar ao coração das pessoas, que costumam ouvir o 20% do que lhes é dito, precisa fazer com que a comunicação seja a mais sincera, expressiva, emocional e interativa possível: desta forma, o conteúdo comunicado ligará ainda melhor com as necessidades e com as “partes” que tem que ser alimentadas em cada participante. O facilitador então deve não só apresentar o tema do encontro, mas também transmiti-lo de um jeito articulado e experimentado, a fim de oferecer ao grupo um primeiro estímulo significativo relativamente ao qual cada participante pode se espelhar e confrontar.

Aqui estão alguns itens que podem ajudar a comunicação, tornando-a  mais eficaz.

  1. Como comunicar
  2. O envolvimento dos participantes

 

1. Como comunicar

a. Comunicação em plena autenticidade
b. O ambiente
c. Comunicação expressiva e emocional

 
 

a. Comunicação em plena autenticidade

Em primeiro lugar, é muito importante que o facilitador comunique ao grupo em plena autenticidade, com paixão e amor, tendo meditado e interiorizado a palavra e o tema que deseja compartilhar no grupo.

Além de usar estratégias e ferramentas mais adequadas, é necessário que o facilitador “aceite a si mesmo” por como se relaciona ao grupo, às vezes reconhecendo seus limites, acolhendo-os como são naquele momento. Pelo contrário, se negar a si mesmo sua dificuldade, ele só irá acentuá-la. Reconhecê-la, aceitá-la amorosamente, muitas vezes permite superá-la logo.

Além da auto-estima, é importante a auto-observação que não julga, ou seja a capacidade de se observar, no decurso da comunicação, sem se julgar, mas aproveitando os itens nos quais pode melhorar, em parte logo e em parte em intervenções futuras.


 
 

b. O ambiente

O ambiente em que a comunicação ocorre é muito importante para ajudar a escuta e a concentração. É sempre bom chegar mais cedo do horário marcado para olhar a sala e torná-la a mais aconchegante e harmoniosa possível. No decorrer do encontro,  alguns cuidados podem ajudar, tais como:

–     A sala  pode ser escurecida e a luz dirigida para o centro do palco, onde pode ser concretizado o conteúdo do tema.

–     Uma música bem equilibrada pode ajudar a criar uma atitude de abertura ao mistério e ao mesmo tempo sublinhar a emoção que supostamente prevalece entre os participantes a respeito do tema.

Os participantes podem ser conduzidos pelo facilitador a tomar consciência do ambiente, para reconhecê-lo como um presente, lugar doado para o encontro com o Senhor. Os materiais (panos ou quaisquer objeto a serem usados) devem ser mantidos em ordem, sobre uma mesa ou no chão, mas de forma harmoniosa.


 
 

c. Comunicação expressiva e emocional

Depois de ter criado o ambiente, o facilitador tenta expressar, tanto quanto possível, as emoções relacionadas e começa a “contar” o tema, de um jeito profundo, evitando um tom monótono. É bom que a comunicação ocorra em cerca de cinco minutos; mesmo por isso, precisa curar particularmente a preparação dos conteúdos a serem expressos, procurando destacar as necessidades existenciais relacionadas ao tema, enriquecendo-os com exemplos concretos, experiências, gestos, mostrando eventuais objetos metafóricos, criando um clima quente de emoções significativas.

 
 

2. O envolvimento dos participantes

a. Símbolos
b. Escultura do tema com os panos
c. Brainstorming
d. Deixar surgir o tema pelos participantes
e. Uso de histórias, mensagens, poemas…
f. Uso de foto e vídeo

 
 

a. Símbolos

As pedras: objetos com um valor simbólico alto

O facilitador gradualmente proporciona os diferentes conteúdos. Na medida em que surgem, podem ser identificados e distinguidos por símbolos específicos, colocados no meio da cena. Pode ser, por exemplo, panos coloridos, dando a cada um forma e posição específica respeito aos outros, a fim de interpretar de forma melhor esse elemento. Devagar, o tema geral é visualizado no meio por uma composição estruturada de panos coloridos e/ou objetos simbólicos.

Logo após desta apresentação, pode seguir algumas indicações, variáveis em função do nível de comparação interativa desejada e do tempo disponível. Os participantes podem ser convidados a:

–     Dar um título à composição e expressar a emoção que transmite;

–     Associar uma imagem ou pensamento pessoal;

–     Aproximar-se, um por um, a um elemento da composição tendo contato com ele, ou transformando-o em suas mãos; em seguida, fazer inversão de papéis com ele dizendo: “Eu sou .. (nome do elemento) e como parte de .. (o tema geral) me sinto …“.

Basicamente o facilitador indica uma dessas modalidades.

Pode seguir a imaginação facilitada[1] para incentivar a reflexão e o surgimento de uma imagem pessoal sobre o tema. Segue-se, naturalmente, a partilha de grupo.

Esta ferramenta pode também ser usada para aprofundar a Palavra.

 
 

b. Escultura do tema com panos

De forma semelhante à ferramenta anterior, nesse caso também há a colocação de panos coloridos no centro, mas neste caso isso não é feito pelo facilitador mas diretamente pelos participantes. Cada participante é convidado a simbolizar o tema com um pano, escolhendo uma cor, dando uma forma e colocando-o no chão. Ao colocar o pano no meio do grupo, o participante tomará em conta sociometricamente os panos já posicionados por outros. O resultado será uma escultura abstrata de grupo. Posicionando seu pano, cada um explica porque escolheu aquela cor, o significado da forma e a emoção que associa a tudo isso.

Una escultura com os panos sobre o tema do Espírito Santo

Em seguida:

  1. Quem quiser pode dar um título à estátua completa e/ou expressar a emoção geral que percebe olhando para ela.
  2. Todo mundo escolhe um objeto, tirado da sala ou pessoal, ou mesmo uma pedra, que represente uma parte de si mesmo que associa à escultura e o coloca sobre os panos, em uma posição escolhida, comentando. Os objetos também podem ser dois, simultaneamente opostos; de fato, pode ser posicionada também a parte que eu sinto mais distante ou de obstáculo em comparação com a evolução positiva do tema.
  3. Cada um pode dar uma mensagem ao grupo, depois de olhar para a estátua completa.
  4. No final, quem quiser pode retomar os objetos e seu pano, dando uma nova redefinição da sua parte no tema. À luz do confronto, os coloca simbolicamente reformulados.

Também neste caso, como no anterior, após esta experiência pode seguir uma imaginação facilitada.

Sendo muito simbólica, esta ferramenta não é adequada para grupos de participantes com menos de 16 anos.

 
 

c.  Brainstorming

Às vezes pode ser útil permitir que o grupo se questione, através de uma tempestade de idéias (brainstorming), sobre o tema. Esta técnica, muito conhecida, consiste em escrever em uma folha grande, em grupos e logo, tudo o que um tema desperta nos participantes (palavras, idéias, imagens, perguntas…). Facilita a capacidade de dissecar os aspectos  emocionais e cognitivos relacionados com o tema que será tratado na leitura bíblica.


 
 

d. Deixar surgir o tema  pelos participantes

Às vezes, especialmente no caso de grupos criativos, já acostumados com modalidades ativas e interativas, pode ser um desafio fazer surgir o tema pelo mesmo grupo. Por exemplo, confiando a subgrupos aspectos ou partes do tema, que o grupo terá que tornar “visível” de uma forma criativa através de uma cena, um mimo, um cartaz, um trabalho criativo. O grupo mesmo pode ser convidado a interpretar o trabalho do subgrupo. No final, o grupo processa o título síntese do tema.

 
 

e. Utilizo de histórias, mensagens, poemas…

Há muitas histórias, mensagens ou poemas curtos que ajudam a transmitir uma idéia e muitas emoções relacionadas a ela. Estes podem ajudar a entrar imediatamente no tema. Às vezes, esses podem ser completados por objetos simbólicos.

 
 

f. Uso de fotos e vídeo

Trechos de vídeos de filmes populares ou outros vídeos podem ajudar na introdução do tema geral.

Na comunicação do tema podem ser usadas imagens, não apenas fotos e/ou desenhos, mas também obras de arte. O uso desta ferramenta, se por um lado depende da sensibilidade artística do facilitador, por outro lado vai relacionada aos participantes, que devem ter a capacidade de interpretar a imagem simbólica e entender o seu conteúdo relacionado ao tema. Se não houver neles essa capacidade, de fato, há o risco de que, em vez de facilitar a compreensão do tema, a torne mais difícil, especialmente se essa mediação é uma forma de arte entendida apenas por poucos.

A imagem pode ser usada de várias maneiras:

–     Descrevendo-a simplesmente, relacionando-a ao assunto;

–     Explicando com os símbolos alguns aspectos particularmente centrais do tema.

[1] Veja p. 63.

Esta entrada foi publicada em Ferramentas para a Fase 1. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *