2. Ferramentas para facilitar o encontro autêntico entre os participantes

A Fase de Introdução e aquecimento tem, entre outros,  o objetivo de criar relação dentro do grupo, para que cada um se encontre bem e à vontade para se expressar, nas várias formas que serão propostas para a partilha.

Em seguida, vamos detalhar algumas das ferramentas que podem ajudar a criar este relacionamento:

  1. Andar e encontrar
  2. Ferramentas de auto-apresentação
  3. Ferramentas que facilitam a armonia de grupo

1. Andar e encontrar

O facilitador pede aos participantes para caminhar na sala, acompanhados por música relaxante. É bom que, num primeiro momento, este passeio aconteça de um jeito circular, formando una roda onde os mesmos estejam um atrás do outro, para que todos possam se concentrar em si mesmos, sem a preocupação de “invadir” o espaço do outro ou ter que sustentar emocionalmente o encontro pessoal. A caminhada circular, de fato, evita o constrangimento de ser visto e então condicionado por outras pessoas, sendo que assim não há nenhuma reunião direta de olhares.

As indicações iniciais promovem o relaxamento e a auto-percepção do corpo e das emoções criadas nesse espaço específico. Mesmo a consciência do ambiente, apresentado como o lugar “oferecido”, doado a nós para o encontro com a Palavra, pode ajudar a despertar o sentimento de gratidão e a se concentrar na experiência do “aqui e agora“.

Caminhada com expressão simbólica através de panos.

Após esse momento inicial, o facilitador convida cada um a entrar em contato com outros participantes. Isso pode ser feito, à livre escolha do indivíduo, ou com um ligeiro contacto físico ou com um olhar ou com um sorriso, expressando, não verbalmente  mas com gestos, a aceitação do outro. Desta forma, a relação empática positiva entre os participantes é iluminada e aquecida; cada participante se sente reconhecido e está pronto para começar a experiência.

Este modo não substitui a apresentação pessoal de cada um do grupo (que acontecerá logo depois), mas cria o clima ideal para que a pessoa possa se expressar em confiança.

2. Ferramentas de auto-apresentação

No início do primeiro encontro as apresentações, tanto do facilitador quanto dos membros do grupo/participantes, são necessárias. Mesmo quando os participantes se conhecem entre eles, porém, é bom que haja este momento inicial em que o grupo se re-encontra, através de um re-conhecimento recíproco. A apresentação tem como objetivo fazer perceber que cada um tem seu próprio espaço no grupo e, portanto, tem a possibilidade/direito de se expressar e de ser acolhido e escutado. Isso ajuda a se sentir aceito e, basicamente, a dissolver os fantasmas sobre a percepção de si mesmo como “diferente”, estranho ou ainda mais inferior dos outros no grupo.

É bom que o facilitador explique o que cada participante tem a dizer de si mesmo, que pode ser algo objetivo (nome, origem…), ou subjetivo (uma idéia, por exemplo Porque estou aqui … ou um sentimento, por exemplo Agora eu me sinto …) ou mesmo a auto-expressão através de um símbolo (uma imagem, uma cor, um objeto, uma metáfora…).

a. Ordem de apresentação

Apresentação através de uma bola

 

Por primeiro, o facilitador deve indicar a ordem em que os participantes irão se apresentar, que não necessariamente tem que seguir o sentido do círculo. Uma forma, por exemplo, é aquela em que o primeiro que se apresenta chama outro do grupo a falar depois de si, lançando para ele um objeto (por ex. uma bolinha ou uma bola de lã) ou simplesmente apresentando-se a ele. Este depois fará o mesmo com outro, e assim por diante. É bom, neste caso, sugerir que aquele que tem que  “passar a bola” o faça antes de falar, de modo que aquele que tem que  falar logo depois pode se preparar.

Se usar a bola de lã, cada um que a recebe tem que manter uma parte do fio consigo antes de jogá-la a outro; deste jeito, irá se criar uma “rede” visível que pode ser comentada como “a rede das relações do grupo”. Essa dinâmica pode ser usada especialmente no caso de um grupo já existente ou quando o texto sagrado aprofunda o tema da relação.  Lembramos que no Bibliodrama, ao criar qualquer símbolo (como, neste caso, a rede) é importante que este se torne um símbolo vivenciado (ver pag. 67), relacionando-o à vida dos participantes.

Escolher a ordem da partilha de uma forma criativa ajuda  o aquecimento e promove o relacionamento entre os participantes.

b.   Modos para apresentação

Podem-se utilizar maneiras diferentes para se apresentar:

APRESENTAÇÃO PESSOAL: cada um expressa pessoalmente algo de si mesmo, de acordo com as indicações do facilitador.

APRESENTAÇÃO MÚTUA EM DUPLAS COM “INVERSÃO DE PAPÉIS”: A apresentação é feita primeiro em dupla; no grande grupo, então, cada um não apresenta a si mesmo mas aquele com quem ele compartilhou: apresenta a si mesmo com o nome e as características do outro. Este modo também serve como aquecimento para a inversão de papeis com os personagens bíblicos logo em seguida.

APRESENTAÇÃO DE SI ATRAVÉS DO OUTRO: Cada participante escolhe uma outra pessoa no grupo que possa expressar a todos, como reflexo de um espelho, uma apresentação sincera do primeiro. É recomendado propor este modo quando há conhecimento suficiente entre os membros do grupo.

c.   Apresentação pela “foto-linguagem” e possível primeira associação ao tema

A apresentação também pode ser realizada através da escolha de uma imagem na qual o participante reconhece algo de si mesmo relacionado ao tema indicado pelo facilitador, que pode ter ligação com sua própria pessoa mas também com a sua maneira de perceber o assunto.

O facilitador coloca imagens (fotografias ou desenhos) no centro do círculo ou em uma mesa e convida os participantes a observá-las, caminhando ao redor delas, e escolher aquela que, em alguns aspectos, diz algo de si mesmo em geral, ou em relação a um papel social particular que une o grupo (por exemplo, o que ela diz sobre mim como catequista), ou sobre o tema específico do encontro (por exemplo, o que diz respeito à amizade). Depois de todos terem tido a oportunidade de ver as imagens, o facilitador, esclarecendo que a mesma imagem pode ser escolhida por mais de uma pessoa, convida para pegar na mão aquela escolhida e formar de novo o círculo; um depois do outro, na ordem estabelecida pelo facilitador, pode mostrar ao grupo a imagem e expressar o que ela diz de si mesmo, de acordo com o pedido do facilitador.

Para experimentar a dinâmica da foto-linguagem é importante que as imagens sejam de tipo diferente, tais como:

  1. a) Imagens indefinidas: podem ser interpretadas de várias maneiras;
  2. b) arquétipos básicos: casa, trabalho, montanha, árvore, tempo, amor…;
  3. c) Expressões faciais;
  4. d) Formas de relacionamento (pai e filho, casal, crianças brincando…)

Quando possível, este momento é introduzido pela caminhada com música relaxante.

3. Ferramentas que facilitam a harmonia do grupo

Nas reuniões de um dia ou mais, com mais tempo disponível, pode nascer a necessidade de criar uma maior sinergia dentro do grupo. Por isso podem-se utilizar dinâmicas em que os participantes sejam encorajados a agir em harmonia uns com os outros, para promover este encontro autêntico. Aqui estão algumas sugestões:

a. Estátua de grupo

Os participantes são convidados a se colocar um ao lado do outro, criando assim uma “estátua” que expresse o sentir do grupo ou alguma emoção (por exemplo, alegria, acolhida, ajuda, compreensão…). Quando a estátua for completa, pode-se convidar cada um para sair e “ver” a estátua, expressando uma palavra, um sentimento ou uma emoção.

b.  Mãos em movimento

A partir da estátua de grupo ou quaisquer outra posição criada anteriormente (até mesmo uma simples roda de mãos dadas), podem-se convidar os participantes, acompanhados pela música, a dançar expressando-se no espaço, sem nunca parar de “tocar” as mãos dos outros, e tentando chegar a todos os participantes. Assim, junta-se movimento e proximidade.

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