FASE 3: “ENTREGAR TUDO” AO SENHOR

A experiência de Bibliodrama ajuda cada participante a encontrar suas necessidades pessoais com relação ao tema proposto e, através da Palavra e das ferramentas do método, a encontrar uma resposta pessoal e profunda.

É importante que ao final da experiência a pessoa seja ajudada a fazer uma síntese do que foi vivido, partilhando a resposta específica dada a ela pela Palavra.

Como dissemos no início, não é o facilitador o protagonista da experiência, aquele que dá a resposta: é o Senhor vivo e presente que, através da Palavra, cura, cuida, dá luz, oferece paz e faz experimentar a alegria do encontro com Ele. Cada encontro com o método de Bibliodrama termina então, naturalmente, com esta consciência que o Senhor se fez presente, e com um momento em que os participantes podem expressar uma forma de oração.



Esta última fase do encontro visa a facilitar nos participantes um importante momento de interiorização e de integração interior do dom recebido.

1. As modalidades de partilha de oração final

Este momento é geralmente proposto no modo de um ritual espiritual, acreditando que o rito antecipa e faz com que seja possível, na experiência interior, a “transformação” que pode ter lugar no futuro. É a hora em que todos podem expressar pensamentos pessoais profundos, geralmente sob a forma de oração, estimulada pela experiência ativa vivida.

1. Criar o ambiente

É importante criar um ambiente propício à oração. É bom criar um ponto central de referência que lembre o sagrado; normalmente se acende uma vela para simbolizar a presença de Deus e o dom da luz recebido durante o encontro.

Junto com a vela podem ser utilizados outros “sinais”, que podem ajudar os participantes a viver este momento mais espiritual, e que apresentamos logo em seguida.

a. Um ícone ou uma imagem

O ícone ajuda a “tornar visível” a presença de Jesus e é uma imagem que leva facilmente à oração; especialmente o ícone de “Jesus Mestre ajuda a dar centralidade à pessoa de Jesus entre nós.

Outras imagens também podem ser usadas, em sintonia com a experiência. Se, por exemplo, foi aprofundado o tema do perdão – misericórdia, pode ser adequada a imagem de Jesus misericordioso ou “A Volta do Filho Pródigo” (ver Rembrandt); se o assunto for relacionado ao Natal, pode-se usar uma imagem ou uma estátua do Menino Jesus; se houver um tema relacionado à Páscoa, o sinal que ajuda pode ser um crucifixo com um pano branco, um símbolo da ressurreição.

Em qualquer caso, o facilitador pode criativamente escolher a imagem que melhor se adapte ao momento.

b. Panos coloridos

Além da imagem, que proporciona visibilidade instantânea da Presença, podemos usar também panos coloridos para representar Jesus, o Pai e/ou o Espírito Santo. Neste caso, a escolha da cor é muito importante. Por exemplo, o vermelho ajuda a simbolizar o Senhor Jesus, humilde rei que deu a vida por nós. Ao mesmo tempo, o vermelho pode indicar o Espírito Santo, o fogo em nossos corações. O azul  lembra a cor do céu, o infinito, e pode ser usado para representar a presença do Pai. Se você quer enfatizar Deus como luz (Jesus – luz, o Espírito Santo – luz), o amarelo é o mais adequado. Mesmo a cor do ouro pode ajudar a simbolizar a Deus com sua realeza e poder.



O pano colorido também pode ser usado para completar o símbolo do ícone ou outra imagem usada.

c. Objetos e / ou panos utilizados no encontro

A vela acesa que cria o ponto central de referência pode ser colocada ao lado ou no meio de todos os objetos e/ou panos que durante o encontro adquiriram um significado simbólico especial, como expressão de experiências interiores presentes em cada participante, emoções ou passagens espirituais que causam sofrimento ou que precisam de cura ou ainda que estejam “no caminho” rumo à maturidade ou plenitude. Colocar a vela, símbolo da presença de Deus, próxima desses objetos simbólicos pode ajudar a representar que Deus é vivo e age mesmo quando a pessoa vê o escuro ou negativo, favorecendo assim uma oração final de invocação.

2. Modo de Oração

A partilha final na oração em grupo é realizada com os participantes sentados em um círculo: quem fala o faz ao Senhor e (indiretamente) ao grupo.

Diferentes modos de oração podem ser propostos pelo facilitador:

a. Expressar a “luz” experimentada

Todos estão convidados a expressar, na oração, o que a Palavra tem causado neles e o que sugeriu para sua própria vida, como respondeu às suas próprias necessidades e desejos.

b. Dirigir uma palavra de agradecimento ao Senhor

Os participantes podem expressar gratidão pelo dom recebido (ou até mesmo uma possível invocação, se preferir). Se os participantes não costumam expressar verbalmente seus sentimentos e compartilhá-los, pode-se pedir-lhes para dizer sequer uma palavra que resume o fruto do encontro com a Palavra de Deus. Se os participantes são crianças, você pode convidá-los à oração dizendo: “O que você quer dizer a Jesus depois que Ele lhe fez este presente…?“.

c. Propor um gesto de adoração

Junto com a expressão verbal, pode ser importante e significativo propor também um gesto de oração/adoração diante do símbolo/imagem da presença de Deus. Por exemplo, um por vez, livremente, cada participante pode se apresentar diante da imagem e ajoelhar-se, ou tocar nela, ou colocar uma mão sobre a imagem e a outra  em seu coração, em um sinal de unidade, ou mesmo beijando a imagem. Estas propostas de ação, mas na liberdade de expressão das pessoas, podem ser acompanhadas por uma oração pessoal verbal.

d. Um gesto simbólico (o “símbolo vivenciado”)

Pode ser útil para viver o momento de oração também convidar a fazer um gesto especial diante da imagem e/ou símbolo que lembra a presença de Deus, um gesto ligado à experiência. Por exemplo, se o texto era uma das parábolas sobre a semente, pode ser proposto o gesto de plantar uma semente em um vaso de terra na frente da Presença, para significar a oferta de nossa semente aos cuidados de Deus. Se o texto foi a unção de Betânia, você pode propor um gesto com o óleo. Se o texto  frisou o tema da oração, você pode usar incenso. Também aqui é o facilitador que identifica qualquer gesto em sintonia com todo o encontro. Este gesto pode ser acompanhado pela  experiência expressa sob a forma de oração.

e. Trazer para o Senhor um compromisso ou uma oração escrita

Ambiente de oração que  valoriza a esquematização simbólica

Quando o grupo é muito grande ou os participantes têm dificuldade a partilhar, este momento final se pode ser vivido também convidando cada participante a escrever uma oração em um pedaço de papel que, em seguida, será levado diante de Jesus em uma cesta. O folheto também pode conter um compromisso que a pessoa assume após a experiência. Se desejarem, os participantes podem partilhar o pensamento escrito ou uma oração, enquanto se aproximam do local indicado para a entrega.

 

f. Associações livres

Outra maneira de viver criativamente este tempo de oração final é retomar o texto bíblico ou uma oração bem correlacionada e permitir que os participantes associem sua própria experiência para toda Palavra ou verso, transformando-a em oração. Muito apropriada, por exemplo, é a Oração do Pai Nosso, quando o texto bíblico aprofundado toma em causa a figura do Pai. O facilitador pronúncia gradualmente cada palavra ou verso (Pai Nosso … … etc.), deixando uma pausa entre um e outro, para permitir que todos, livremente, associem sua própria experiência. É importante que o facilitador recomende aos participantes, antes de iniciar a oração, para falar livremente sob a forma “inspirada…; com o coração” e não associando reflexões muito racionais.

Esta ferramenta é semelhante ao símbolo vivenciado; neste caso, no entanto, o símbolo não é visual, mesmo porque é sublinhado o caráter simbólico da mesma palavra.

g. Orações interiores

Às vezes, devido a limitações de tempo ou por razões de hábito e falta de disponibilidade do grupo para compartilhar orações pessoais, podemos propor um período de silêncio de vários minutos, com música de fundo adequada para permitir a expressão interior de uma oração pessoal. Neste caso, o facilitador irá introduzir o tempo especificando como viver. Segue o encerramento da experiência através da partilha de uma oração coletiva como o “Pai Nosso”.

É importante que o momento final de partilha na oração haja sempre, mesmo quando o grupo se encontra mais vezes. A oração conclui cada encontro. Em ambiente mais secular, ou para determinada opção do facilitador, este final pode ocorrer através da expressão de um pensamento.

Na etapa final, você também pode dar espaço para compromissos concretos de evolução positiva da sua vida, junto a ações concretas específicas à luz da Palavra encontrada.

Geralmente pode-se concluir o encontro com um Pai nosso, de mãos dadas.

 

 

 

 




A oração conclui a experiência de Bibliodrama pastoral.

Às vezes pode ser útil, especialmente se os participantes experimentaram pela primeira vez este tipo de experiência, pedir para expressar a emoção sentida em frente a este tipo de encontro, ou, eventualmente, compartilhar o que cada um leva para casa. Isso é útil para ter um feedback geral, o que pode ajudar especialmente se o grupo vai viver outras experiências em seguida.

 

 

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